quarta-feira, 1 de junho de 2011

Alma Intolerante



Alma Intolerante

Meus passos estão assim,
Tão perdidos, que tornam longos
Os caminhos, que parecem sem fim,
Por entre meus olhares, que flutuam,
- Descoloridos e sombrios -
Em um horizonte enrubescido;

Que som é este que não me chega,
E que procuro ouvir,
Desde onde não me acho e me perdi;

Ah, essa minha alma intolerante,
Rebelde nesse corpo amante,
Vertendo lágrimas entre sorrisos inconstantes,
Intranquilas nascentes, na verdade que procuro!

Pressinto tudo tão obscuro,
Que meus delírios ensaiam um surto,
O surto mudo de um filme curto,
No qual meu futuro é legendado,
Para que os desejos - que não mais escuto -
Sejam lidos pela minha esperança;

Acalma-te, alma minha!
Respire a paz que lhe é devida,
Pois, a vida não nos criou da ilusão,
E não nos deu a perversidade da ingratidão;

Acalma-te, minha alma!
O futuro é um desenho rebuscado,
Por um menino maroto e levado,
Cheios de traços emaranhados,
Repletos de sonhos mal rabiscados;

Acalma-te, alma minha!
Entre os caminhos sombrios,
Entre os olhares perdidos,
Não estará jamais sozinha,
Confia na essência,
Desse brejeiro e confuso menino,
Que desenha a nossa vida,
E que assina como Destino!


Horacio Vieira
(publicado em 25/09/2008 – 16:42/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20129701/08-F
(reescrito e republicado em 01/06/2011)