sábado, 5 de fevereiro de 2011

Alma e Coração



Alma e Coração



Em minha alma pacífica,
Existe um coração batuqueiro,
Que compassa minha alma rítmica;
Ah, esse meu coração bandoleiro,
Que toca minha alma sensível,
Que retorce meu coração flexível,
Que faz a alma flutuar envergonhada,
Pelas asas do coração, sempre em revoada;
Enquanto minha alma canta aos anjos,
Meu coração cutuca os demônios;
Minha alma se perfuma de esperança,
Meu coração, manhoso, não se cansa;
Se minha alma contemporiza,
Meu coração se inflama anarquista;
Minha alma admira as estrelas,
Meu coração, em um beijo, lhes rouba a centelha;
Minha alma suaviza,
Meu coração dramatiza;
Minha alma chora amando,
Meu coração amando, sorri!
Minha alma se acha pequena,
Meu coração abre seus braços de colosso;
Minha alma esquenta os lençóis do meu corpo,
Meu coração se faz de travesseiro, em meu peito;
Minha alma se deita na cama nua,
Meu coração se aconchega e sussurra,
Minha alma responde nos lábios,
Meu coração a abraça e lhe corteja;
Minha alma brilha intensamente,
Meu coração lhe ama ardentemente,
O universo enlouquece na razão,
E descobre o amor na contradição,
A alimentar a simbiótica paixão,
Entre o meu coração, amante de minha alma,
E a minha alma, amante do meu coração...

Horacio Vieira
(publicado em 04/06/2008 – 02:02/São Paul/BN)
Ctt : doc.. 2011952/08-F
(reescrito e republicado em 05/02/2011)