Respirar o amor
Quando disser que lhe amo,
Feche os olhos e retenha a
respiração,O desejo por teu corpo, que chamo,
Instiga os arredios arrepios do coração;
Quando, assim eu recriar em seus ouvidos,
Todos os tolos murmúrios versados,
Dos incontáveis enamorados sábios,
Pilhados, os versos serão beijos,
Arrancados dos seus lábios,
Cravados nas asas dos anjos banidos,
Do céu da esperança revelada,
Desnuda e deitada na cama predestinada;
Eu sei, que ao amar assim, desesperadamente,
Haverei de perder os sentidos,
A razão e o equilíbrio,
Pois na mescla insana e sinuosa dos teus traços,
As minhas mãos trêmulas se entrelaçam,
E se entregam cansadas e dormentes,
Depois de percorrerem o infinito da tua pele,
Tornando infindo o amor que tanto pronuncio;
E mesmo e apesar de o eterno ser incerto,
Através dos suspiros em meu olhar,
Advindo dos delírios no teu corpo de mulher,
Haverão de vir das palavras,
O descaminho que percorro,
Até que me abrace a morte,
Pois necessito respirar em verbos o que é amar,
Tanto, que se não disser que te amo, morro.
Horacio Vieira

