Universo sem
Poesia
Intacto e pasmo ficou,
Estupefato permaneceu,
O universo calou!
O mundo parou e o tempo se perdeu,
E todas as coisas ao redor se aquietaram.
O sol, temeroso, não se mexeu,
E o pássaro pousou na rama,
E com a flor, o suspiro escondeu,
Seu canto emudeceu;
O vento sem fôlego cessou;
As folhas das árvores não se mexiam,
Não se roçavam e muito menos sussurravam;
Todo o fogo que ardia em chama,
Não mais queimou;
E as nuvens, em silêncio, observavam,
Os deuses pagãos que se debatiam,
Enquanto suas ninfas e musas enlouqueciam,
Clamando pelos heróis esquecidos,
Lamentando os amantes perdidos;
As estrelas sem brilho,
E uma lua sem glória,
Fez o homem, da mulher, desencontrar,
E a mulher – desencontrada - chorou,
Ao ver-se sem a alma e sem o homem,
Por quem tanto procurou;
As flores perderam a cor na seiva, que secou;
Tudo parou...
Pois, houve um poeta, a quem a desilusão cegou,
E compartilhando a escuridão desse vazio,
Oculto na fala silenciosa,
Do olhar do poeta que não mais escrevia,
O universo, sem a poesia, desesperou!
Por eternos segundos de agonia,
De um desamor que ao poeta consumia,
Desta dor lacerante, veio a rebeldia;
E seu coração, inquieto,
Em sua lembrança ressuscitou,
O olhar da poesia, ainda criança,
Que seu peito sempre abrigou;
E a inocência, dessa alma, revelou,
A essência viva do mais puro amor,
E o poeta, inspirado, voltou a sonhar,
E em cada verso que escrevia,
Foi devolvendo ao universo,
Que o acolhia e por ele sofria,
Rima por rima, a vida em forma de poesia!
Horacio Vieira

