O tempo, o vinho e a vida...
Fiz do tempo o vinho,
Bebi dos segundos,
Deixei em meus lábios o sabor dos instantes,
E nessa embriaguez errante,
Perdi o rumo dos medos,
Afastei de mim todo o mal do mundo,
E em cada gole ia despertando mil desejos;
Expurgava de minha alma todo desassossego,
E não era pouco o tanto que me embriagava,
Era muito o tanto que me recordava;
As melodias de todas as canções,
As danças em todos os salões,
Uma dança para cada um dos corações,
Que me ensinaram os passos da paixão;
Afaguei, os corações entre os meus braços,
E sorrindo, encerrei-os em meu peito,
Até que não houvesse mais espaço;
E assim, tão apertado respirei mansinho!
De cada mulher trago o aroma, o fascínio,
E o delírio refletido,
De cada um dos lábios molhados,
Aonde, antes de adormecer cansado,
Beijava suspirando às que me amaram sonhando;
Ah, vida minha que renasce na lembrança,
Seja bem vinda no vinho do tempo,
Seja o tempo nas vinhas do amor,
Seja o sabor no cálice da esperança,
Seja a mais intensa das amantes,
Aquela, que jamais se cansa...
Horacio Vieira
sábado, 18 de julho de 2009
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