Sombras
Sigo sombras a minha frente,
Meus passos seguem outros passos,
Em labirintos monótonos de vícios.
Caminhar sem rumo é viver inconstante,
É presumir que o todo é tudo que resta,
É se entregar à vaidade da prepotência,
E viver sob a égide do que não se é!
Meus passos teimam em seguir a ignorância,
E então, eu que outrora reluzia a anarquia,
Observo o que fiz em mim!
Necessito a redenção de mim mesmo,
Na explosão... talvez de um grito rebelde,
Um grito que venha a estilhaçar o que sou agora,
Um grito bastardo,
Da união entre a esperança e o temor,
Capaz de estremecer toda a mansidão,
Que insiste entorpecer minhas vontades;
Talvez um grito revoltoso entre os delírios,
Ou o grito do choro do recém-nascido;
Um grito aflito de quem precisa se sentir vivo,
O grito da ajuda que a vida sempre acolhe,
Um grito que ao me despedaçar por inteiro,
Me sustente por entre os timbres agudos,
Até extinguir todo o ar dos meus pulmões;
E que ao findar deixe nos escombros sombrios,
A infeliz contradição do que me fiz!
E depois de tudo,
No silêncio dos recomeços,
Que de minha alma venha inocente,
A luz da paz a iluminar meu caminho,
E finalmente dissipar todas as sombras,
Que surgirem em minha frente...
Horacio Vieira
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
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